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sábado, 29 de outubro de 2011

Mobilização Social


Abrindo um dicionário encontramos dois significados para a palavra “mobilizar”: “1. Dar movimento a; movimentar; 2. Apelar para os serviços de alguém”. Mais do que uma sutileza semântica, a diferença entre esses significados é tão importante que pode afetar profundamente o caráter e os resultados de uma mobilização social.

Um processo de mobilização não acontece espontaneamente, do nada. Ele é fruto da iniciativa de alguém. Alguém que, indignado diante de algum fato, decide descruzar os braços e fazer alguma coisa.

Além de indignação, as pessoas, grupos ou organizações que começam uma mobilização também carregam consigo muito bom senso: o produtor social sabe que não pode resolver nada sozinho. E é por isso que se dispõe a compartilhar suas inquietações e seus sonhos com outras pessoas.

Para fazer alguma coisa que queremos, muitas vezes precisamos “mobilizar” recursos. E este é um pouco do sentido da segunda definição: “apelar para os serviços de alguém” significa conseguir gente para fazer o que queremos, para viabilizar as nossas idéias e os nossos sonhos.

Enquanto “apelar para os serviços” de alguém reforça a cultura da adesão, “dar movimento” serve para criar uma cultura de participação, em que as pessoas são tratadas como sujeitos, e não como recursos para viabilizar a vontade de quem quer que seja, por mais legítima e bem intencionada que seja essa vontade.

PRA RESUMIR, MOBILIZAÇÃO SOCIAL É...
Um processo educativo que promove a participação de muitas e diferentes pessoas (irradiação) em torno de um propósito comum (convergência).
PROCESSO: A mobilização social não se limita às manifestações públicas, às passeatas, às convocações em praça pública, ainda que eventos deste tipo tenham um papel muito importante.
EDUCATIVO: Ninguém nasce um cidadão atuante ou um ativista. Mas a partir de experiências concretas no seu bairro, na sua comunidade, na sua cidade, as pessoas vão aprendendo e incorporando cada vez mais a prática da participação social às suas vidas. Cristovam Buarque costuma até dizer que "mais difícil do que botar o povo na rua é levá-lo de volta pra casa".
EMPODERAMENTO: Empoderar significa promover a iniciativa das pessoas, acreditando que elas são capazes de resolver os problemas que afetam diretamente suas vidas.
IRRADIAÇÃO: A mobilização gera um movimento que vai envolvendo cada vez mais (quantidade) e diferentes (pluralidade) pessoas de um jeito organizado.
CONVERGÊNCIA: As mudanças acontecem de fato se a sociedade se articular em torno de um projeto de futuro coletivo. Para isso é fundamental conciliar as ações de curto prazo com uma visão de longo prazo.

A mobilização social é um modo de construir a democracia e a participação. É um modo de construir um país em que todos promovem uma vida digna para todos.

 
Artigo na íntegra.
Colunista Antônio Lino

 
Amanda Almeida

Co-fundador da Aracati – Agência de Mobilização Social